Jucurutu: Um herói esquecido na sua terra

Insensatez, desconhecimento ou falta de respeito? O que terá acontecido ao Poder Público Executivo e Legislativo de Jucurutu para não ter emitido sequer uma nota de pesar, com poucas linhas, mas que externasse as condolências pela morte do meu pai, Alcindo Arnaldo da Silva, considerado por outros segmentos do Estado e da Região como um herói Nacional, que morreu no domingo último, poucas horas depois de ter completado 95 anos. 

O “general” Alcindo, como era carinhosamente chamado pelos familiares e amigos mais próximos, era o único vivo entre os três jucurutuenses integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que foram para a Itália defender o Brasil na Segunda Guerra Mundial, participando do grupo dos aliados contra o Nazismo. Os outros dois, inmemoriam, eram meu tio Evaristo Lacava de Almeida e Lino Vicente. 

A bravura e disposição do meu pai em defender a Pátria, foram destacados na Assembleia Legislativa, em notas da Mesa Diretora e de alguns deputados. Para se alistar aumentou a sua idade pois só tinha 17 anos. Posteriormente seguiu como voluntário para o Teatro de Operações da Itália e participou de batalhas como Monte Castelo e Montese.

Jucurutu, a sua terra Natal até este momento em que ainda é muito forte a dor pela sua partida, não se manifestou, a não ser em condolências, pelo WhatsApp de duas vereadoras – Paula e Ioneide, mas oficialmente da Prefeitura e da Câmara nada foi encaminhado à família. Falta de informação, não sabiam?  Os assessores esqueceram dos que defenderam não só a Pátria mas a terra onde nasceram? É dessa forma que  gestores políticos-administrativos tratam os seus poucos heróis? Uma nota de pesar não levava mais de 15 minutos para ficar pronta. 

Em Natal, seu Alcindo recebeu todas as honrarias possíveis, mesmo nesses tempos de pandemia. Foi tratado como deve ser todo herói, ou seja, alguém de que suscita admiração. Uma pessoa que se comporta de forma corajosa e com determinação.

Ao contrário de Jucurutu, em Natal o Exército Brasileiro fez questão de realizar a Missa de Sétimo dia numa homenagem à família, contando com a presença do general Ulissesde Mesquita Gomes, comandante da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada. Ao final do ato religioso, a autoridade militar entregou uma bandeira do Brasil para a família como uma homenagem ao patriotismo de papai, que foi recebida por mim. Aldemar de Almeida

 

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