RN: Classe Hospitalar do HMWG já beneficiou 500 crianças em três anos

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Dias de afastamento escolar sempre representam grandes prejuízos ao aprendizado de qualquer criança. Quando o motivo desse afastamento é uma internação hospitalar, o retorno a sala de aula pode atingir períodos ainda mais longos. Para que a volta aos bancos da escola seja a mais natural possível, desde 2012, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) integra o Programa Classe Hospitalar. Através dele, crianças internas no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) e na enfermaria pediátrica do terceiro pavimento recebem aulas diárias, de segunda a sexta-feira, durante um período de quatro horas diárias, de acordo com seu grau de escolaridade. No total, o projeto já beneficiou mais de 500 crianças. O Classe Hospitalar é realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME), e atualmente contempla também os hospitais Maria Alice Fernandes e Santa Catarina. No HMWG, as pedagogas Fátima Galvão e Luciana Nogueira, se revezam nos horários da manhã (na pediatria) e da tarde (no Centro de Tratamento de Queimados) realizando de forma lúdica e divertida, atividades que exploram o dia a dia da criança e a forma como ela percebe o mundo ao seu redor. Para isso, as professoras fazem uso de jogos, música, DVDs, pinturas, leituras entre outros atrativos. As aulas são ministradas de acordo com a grade curricular disponibilizada pela escola de origem da criança. Na maioria das vezes, as lições são aplicadas na brinquedoteca de cada setor. Mas, quando a criança não tem condições de se locomover, a explicação ou tarefa é realizada no próprio leito. Luciana revela que dentre as atividades que mais agradam aos pequenos estão a contação de histórias e as brincadeiras com fantoches. As vezes, porém, o trabalho pode ser dificultado, dependendo não só do estado de saúde, mas do humor das crianças. “Uma menina ontem estava muito chateada porque estava com dor. Por causa disso, ela não queria fazer a atividade. Aí utilizei um jogo de somar, que lembra muito um dominó, e a partir daí ela se estimulou e fez a tarefa”, conta. Por estar mais próxima dos pequenos (devido ao número reduzido de alunos, se comparado com uma sala de aula regular) a pedagoga afirma que o contato diário permite traçar o diagnóstico pedagógico e o nível de escolaridade em que a criança se encontra. Esse entendimento da realidade educacional ainda permite a elaboração de atividades mais específicas e o alcance de resultados mais rápidos. “Houve uma criança que conhecia as sílabas, mas que não as conseguia juntar. Por ser possível prestar essa atenção diferenciada, a criança saiu do CTQ lendo”, conta Luciana. Já para Fátima Galvão um dos fatores mais importantes do trabalho é saber que naquele espaço é possível manter o vínculo pedagógico. Ela destaca também que “quando a criança chega ao hospital, ela sofre um choque. Mas, depois, ela percebe que há outra realidade aqui, além de remédios e exames. Ela brinca, pinta, aprende. E tudo isso contribui para que a recuperação de seu quadro de saúde aconteça mais rapidamente. Esse também é um trabalho de resgate educacional, de reinserção no contexto escolar, sem prejuízos para a criança”, afirma. Um dos atualmente beneficiados com o Projeto é o pequeno Israel, de sete anos, internado há 35 dias na unidade pediátrica do terceiro andar. A mãe dele, Célia Maria Gomes Balbino, diz que durante o tempo em que está participando das aulas, seu filho até esquece que está em um hospital. “Aqui é muito bom porque ele se diverte muito, Tanto, que depois que entra, não quer mais sair. Se não tivesse essa classe ele ficaria muito inquieto”, afirma. Fátima conta que muitos casos marcaram esses três anos de Projeto. Mas um, ela sempre lembra com muito carinho. O menor, de nome Ranieri, foi aluno do Projeto há dois anos. Ao ser apresentado ao Classe Hospitalar foi logo dizendo que tinha aversão à matemática. A pedagoga relembra que começou a ensiná-lo a operar frações e a fazer cálculos de geometria, usando exemplos do dia a dia. “Dessa forma, ele viu como aprender matemática era fácil”. Pouco antes de sair de alta, em janeiro de 2014, Fátima fez um pedido ao aluno. Que ele ensinasse aos colegas o que havia aprendido. “Dias depois ele ligou, contando que nunca havia tirado uma nota tão alta em matemática, que eu era a mulher da vida dele e que havia ensinado tudo o que aprendeu aos colegas”. A ligação entre professora e paciente/aluno se estreitou de lá para cá e ambos, ainda hoje, mantem contato via redes sociais.

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