Pan de Toronto: Brilho Feminino

 

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Das 141 medalhas brasileiras neste Pan, 63 foram arrebatadas por atletas individuais ou por times femininos, além de 74 masculinas e quatro mistas. As mulheres tiveram destaque em esportes coletivos, como o futebol e o handebol, ambos campeões, e em modalidades individuais, inclusive aquelas em que o país não tem grande tradição, como a canoagem, com o ouro e a prata de de Ana Sátila, a luta olímpica, em que Joice Silva ficou com o ouro, e o levantamento de peso, com o bronze de Jaqueline Ferreira. O vôlei, favorito, decepcionou e ficou com a prata.

— Para nós do Brasil, foi o Pan das mulheres, e elas merecem páginas em rosa nos jornais. É uma tendência que vem ocorrendo desde os Jogos Olímpicos de Pequim-2008, pelo fato de investirmos meio a meio no masculino e no feminino. Mas é também mérito das meninas — afirmou Marcus Vinicius Freire, diretor executivo do COB.

A meta do Brasil era superar Guadalajara-2011 no número de atletas e no de medalhas. Em 2011, foram 515 atletas, e agora, 590. Em Toronto, o país conquistou as mesmas 141 medalhas de quatro anos atrás, com a terceira posição no total, que era a meta estipulada pelo COB (Estados Unidos e Canadá terminaram na frente). Em 2015, 70% dos atletas disputaram o megaevento pela primeira vez, e metade da delegação tinha entre 15 e 25 anos (média de idade de 27).

MARCAS DE NÍVEL OLÍMPICO

Algumas medalhas e marcas obtidas se destacam porque estão em nível olímpico, e serviriam para garantir medalha nos Jogos, se comparadas aos números de Londres-2012, ou foram conquistadas contra atletas campeões olímpicos ou mundiais. Foi o caso dos dois ouros de Isaquias Queiroz, na canoagem, ou do nadador Felipe França, com um tempo nos 100m peito (59s21) que lhe daria o bronze em 2012.
As mulheres tiveram destaque também em esportes coletivos, como o futebol e o handebol, ambos campeões, e em modalidades individuais onde não tem grande tradição, como a canoagem, com o ouro e a prata de de Ana Sátila, e a luta olímpica, em que Joice Silva ficou com o ouro.

De uma forma geral, o judô, com 13 medalhas em 14 categorias, foi o esporte mais elogiado pelo COB, com menção honrosa para o hóquei sobre grama, cujo time masculino ficou em quarto e, assim, garantiu a vaga olímpica.

O atletismo pode ser apontado como decepção, apesar da expressiva marca de Fabiana Murer para ficar com a prata no salto com vara (4,80m, sua melhor marca em 2015). O mais tradicional dos esportes passou a ser um ponto de atenção dos dirigentes brasileiros para os Jogos Olímpicos em casa.

– Basta pegarmos os dois últimos ciclos olímpicos, para ver que precisamos dar uma olhada no atletismo – disse Marcus Viniciius Freire.

Segundo o o dirigente, houve mudanças no comando técnico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), e uma adaptação leva algum tempo. Já o presidente da confederação, José Antonio Marins Fernandes, o Toninho, garantiu que foram dadas a todos os seus atletas as melhores condições de treinamento.

– Esperávamos um número maior de medalhas, tanto no total como em ouros. No entanto, devemos considerar que esta edição do Pan foi a mais forte no Atletismo, desde os Jogos de Indianápolis-1987, nos Estados Unidos. É natural, assim, que as dificuldades tenham sido maiores.

O vôlei foi outro a decepcioar. Embora não tenham vindo nem as duplas de praia mais bem ranqueadas nem as seleções masculina e feminina de quadra completas, os resultados estiveram abaixo do esperado. No vôlei de praia, houve bronze feminino e prata masculina, e no de quadra, a seleção feminina, dividida entre o Pan e o Grand Prix, levou a prata no Pan e perdeu o troféu do Grand Prix. Já a seleção masculina B perdeu de virada na decisão com a Argentina, ao mesmo tempo em que a principal não conseguiu o troféu da Liga Mundial.

Para além dos cálculos e projeções, nada será concretizado se não forem os músculos, a garra, as horas de treino e o sangue de homens e mulheres que defenderão o Brasil em 2016, nos Jogos em casa, em pleno inverno carioca, tão ameno que deverá se assemelhar ao verão de Toronto.

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Judô foi o melhor esporte do Brasil; atletismo e vôlei decepcionam

O Globo

 

 

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